domingo, 17 de setembro de 2017

Ressurreição by Mário de Sá-Carneiro

RessurreiçãoRessurreição by Mário de Sá-Carneiro
My rating: 4 of 5 stars

Inácio e Etiénne não conseguem sequer conceber, quanto mais dar um nome, à atração que sentem um pelo outro. Os dois artistas boémios conhecem-se em Paris e conhecem uma bailarina de cabaret, por quem ambos se apaixonam, ou talvez se apaixonem por ela por estarem apaixonados um pelo outro e por ser esse o único vocabulário do amor que têm para exprimir a sua paixão.

View all my reviews

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Crónicas de Uma Pequena Ilha by Bill Bryson

Crónicas de Uma Pequena IlhaCrónicas de Uma Pequena Ilha by Bill Bryson
My rating: 4 of 5 stars

Depois de ter vivido durante vinte anos em Inglaterra, Bill Bryson decide regressar com a família aos Estados Unidos, o seu país natal. Mas antes decide fazer uma viagem de sete semanas pela Grã-Bretanha, com o objetivo de visitar todo o país. A viagem é um pouco caótica: se há um comboio que está a partir para uma qualquer cidade, Bryson não resiste a subir, por vezes alterando os seus planos. Desta forma, percorre muitas cidades da Inglaterra, do País de Gales e da Escócia, terminando em John O'Groats, no extremo norte da grande ilha.

Pelo caminho, sucedem-se aventuras e encontros, por vezes divertidos, por vezes assustadores. Por todo o lado, a mesma chuva e frio e cinzento do janeiro britânico, fábricas encerradas, centros de cidades descaracterizados por horríveis edifícios envidraçados de escritórios, as mesmas cadeias de lojas globais. Mas também algumas surpresas, como a catedral de Durham, a transformação de Glasgow, as paisagens rurais bem preservadas de certas zonas. E sempre, o especial sentido de cortesia e humor peculiar dos britânicos.

No final, Bryson descobre (ou recorda-se de) que adora a Grã-Bretanha: "Que lugar assombroso era este - completamente louco, mas adorável até ao mais ínfimo pormenor. Afinal, que outro país se lembraria de arranjar topónimos como Tooting Bec e Farleigh Wallop ou ter um jogo como o críquete que, ao fim de três dias, parece que ainda não começou? Quem é que não acharia estranho, no mínimo, obrigar os seus juízes a usarem cabeleiras e o Lorde Chanceler a sentar-se em cima de uma coisa chamada Woolsack na Câmara dos Lordes, e orgulharem-se de um herói da Marinha cujo último desejo antes de morrer foi ser beijado por um tal Hardy? («Por favor, Hardy, beija-me na boca, profundamente.») Que outra nação no mundo nos poderia dar William Shakespeare, empadas de porco, Christopher Wren, Windsor Great park, a Universidade Aberta, o «Gardner's Question Time» e a bolacha digestiva de chocolate? Nenhuma, é claro. Como nos esquecemos tão facilmente de tudo isto. (...) Este é um país que combateu e ganhou uma guerra nobre, desmantelou um poderoso império de uma forma suave e esclarecida, criou um estado-providência com os olhos no futuro - e depois passou o resto do século a considerar-se um fracasso crónico. O facto é que continua a ser o melhor lugar do mundo para fazer muita coisa - para pôr uma carta no correio, para passear a pé, ver televisão, comprar um livro, beber um copo, visitar um museu, utilizar os serviços bancários, ficar perdido, procurar ajuda, ou ficar parado numa encosta a apreciar a vista. (...) Já o disse antes e repito-o: gosto muito deste país- É difícil dizer por palavras o quanto gosto dele."

Hesitei entre 3 e 4 estrelas: não temos a ideia de um percurso ao ler o livro, perdemo-nos na sucessão de dias e locais, e as descrições são por vezes muito repetitivas (cheguei à cidade, era noite, estava a chover, apanhei uma molha, fui a um pub beber uma cerveja, no centro os edifícios vitorianos foram demolidos para dar lugar a feios edifícios de escritórios, nas ruas comerciais as lojas estão fechadas ou foram substituídas por McDonalds e Marks & Spencer's... etc., etc.) Um editor forte teria, provavelmente, cortado 1/3 das páginas.

Mas Bryson fez-me sorrir muitas vezes e, por vezes, soltar mesmo uma gargalhada! (Em John O'Groats, no extremo norte da ilha, não há habitantes, apenas 2 ou 3 lojas de recordações e 1 ou 2 cafés. Em janeiro, está tudo fechado, exceto uma loja. "Entrei e fiquei admirado ao ver no seu interior três senhoras de meia-idade a trabalharem, o que era um exagero, pois eu devia ser o único turista existente a uma distância de 640 quilómetros. As senhoras tinham um ar muito alegre e saudável e receberam-me calorosamente, com aquele maravilhoso sotaque da região das Highlands - muito bem pronunciado e, todavia, tão suave. Desdobrei algumas camisolas para que elas tivessem algo para fazer depois de eu sair da loja..."). Por isso, merece bem as 4 estrelas!

View all my reviews

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Trás-os-Montes, o Nordeste by J. Rentes de Carvalho

Trás-os-Montes, o NordesteTrás-os-Montes, o Nordeste by J. Rentes de Carvalho
My rating: 3 of 5 stars

Um pequeno apanhado de impressões e de opiniões de Rentes de Carvalho sobre Trás-os-Montes (ou a sua parte de Trás-os-Montes), muito bem escritas, do qual se percebe o quão profundamente apaixonado pela terra e pelas suas gentes é o autor.
Tal não o coíbe de lançar uma crítica forte, que recebeu grande eco na comunicação social, sobre o tabu que é a homossexualidade na região. "Entristece constatá-lo, mas se aqui e ali na terra transmontana algo vai melhorando, seja ele a passo de boi, facto é de que há pontos em que a rigidez atávica, o medo, o atraso, antigas noções de honra e a vergonha, se conluiam para tornar desumana a vida daqueles que, por qualquer motivo, seja ele escolha própria, inclinação, desejo ou herança genética, destoariam pelo comportamento. Faço aqui uso ciente do condicional, porque de facto, salvo raríssimas exceções (...), as lésbicas e os homossexuais transmontanos não destoam, pela simples razão de que nesse particular Trás-os-montes não fala «dessas coisas» e faz par com a antiga União Soviética, o Partido Comunista Chinês e o governo do Zimbabué, para quem a homossexualidade não existe."

View all my reviews

Perversões by Jesse Bering

PerversõesPerversões by Jesse Bering
My rating: 1 of 5 stars

Esta edição tem tantas gralhas e uma tradução tão deficiente que é impossível compreender o conteúdo de parágrafos inteiros, o que perturba fortemente a compreensão do texto e a fluência da leitura de um livro cujo conteúdo parece ser muito interessante. É por isso que leva 1 estrela!
Caso encontrem outra edição, por favor, leiam, porque o conteúdo merece, sem dúvida, 4 estrelas.

Num tom divertido e desarmante (o autor confessa no livro as suas "perversões" mais "vergonhosas"...), Jesse Bering fala das parafilias e de como o significado do que é, ou não é, uma perversão tem evoluído ao longo da história.

Alerta-nos para a angústia e opressão que sentem os que não se atrevem a "sair do armário" dos seus desejos sexuais desviantes, mesmo que inofensivos (uma atração sexual por botas, por exemplo, é inofensiva), por receio de serem estigmatizados pela sociedade.

Explica que muitos dos comportamentos sociais discriminatórios têm uma base evolucionária forte, o que não os justifica. Individualmente e socialmente temos a inteligência e a sensatez suficientes para reconhecer e recusar a discriminação. Neste campo, um exemplo muito interessante é o que tem a ver com a criação de "etiquetas" sobre sexualidade: Lésbica Gay Bi Trans Queer Inter Assexual... etc... como se fosse possível descrever a complexidade e a riqueza de personalidade de um indivíduo só com uma etiqueta. No entanto, do ponto de vista evolucionário e reprodutivo, que etiqueta tem mais valor do que a etiqueta da sexualidade?

Refutando os argumentos do "natural" e do "fim reprodutivo" da moral conservadora (utilizando para isso as suas contradições internas), o autor defende que o único critério aceitável para a repressão de atos sexuais é o facto de este causarem, ou não, danos a terceiros.

E termina numa nota positiva, desejando que o nosso sistema de valores evolua para passar a fundamentar-se não na moral religiosa ou conservadora, mas em factos científicos estabelecidos, na crença de que as orientações sexuais nunca são escolhidas pelos próprios, de que o mal não existe a não ser nas nossas mentes, de que os pensamentos lúbricos não são atos imorais e de que nenhum comportamento sexual deve ser condenado se não causar danos comprováveis.

View all my reviews

segunda-feira, 31 de julho de 2017

10 Great Travel Books

1. In Patagonia by Bruce Chatwin

Picture
An exhilarating look at a place that still retains the exotic mystery of a far-off, unseen land, Bruce Chatwin’s exquisite account of his journey through Patagonia teems with evocative descriptions, remarkable bits of history, and unforgettable anecdotes. Fueled by an unmistakable lust for life and adventure and a singular gift for storytelling, Chatwin treks through “the uttermost part of the earth”— that stretch of land at the southern tip of South America, where bandits were once made welcome—in search of almost forgotten legends, the descendants of Welsh immigrants, and the log cabin built by Butch Cassidy. An instant classic upon publication in 1977, In Patagonia is a masterpiece that has cast a long shadow upon the literary world. 

2. ​The Worst Journey in the World by Apsley Cherry-Garrard

Picture
The Worst Journey in the World recounts Robert Falcon Scott’s ill-fated expedition to the South Pole. Apsley Cherry-Garrard—the youngest member of Scott’s team and one of three men to make and survive the notorious Winter Journey—draws on his firsthand experiences as well as the diaries of his compatriots to create a stirring and detailed account of Scott’s legendary expedition. Cherry himself would be among the search party that discovered the corpses of Scott and his men, who had long since perished from starvation and brutal cold. It is through Cherry’s insightful narrative and keen descriptions that Scott and the other members of the expedition are fully memorialized.

3. The Road to Oxiana by Robert Byron

Picture
The Road to Oxiana is an account of Robert Byron’s ten-month journey to Iran and Afghanistan in 1933–34 in the company of Christopher Sykes. This travelogue is considered by many modern travel writers to be the first example of great travel writing. Bruce Chatwin has described it as “a sacred text, beyond criticism” and carried his copy since he was fifteen years old, “spineless and floodstained” after four journeys through central Asia.

4. The Way of the World by Nicolas Bouvier

Picture
In 1953, twenty-four-year old Nicolas Bouvier and his artist friend Thierry Vernet set out to make their way overland from their native Geneva to the Khyber Pass. They had a rattletrap Fiat and a little money, but above all they were equipped with the certainty that by hook or by crook they would reach their destination, and that there would be unanticipated adventures, curious companionship, and sudden illumination along the way. The Way of the World, which Bouvier fashioned over the course of many years from his journals, is an entrancing story of adventure, an extraordinary work of art, and a voyage of self-discovery on the order of Robert M. Pirsig’s Zen and the Art of Motorcycle Maintenance. As Bouvier writes, “You think you are making a trip, but soon it is making—or unmaking—you.”

5. A Short Walk in the Hindu Kush by Eric Newby

Picture
For more than a decade following the end of World War II, Eric Newby toiled away in the British fashion industry, peddling some of the ugliest clothes on the planet.  Fortunately, Newby reached the end his haute-couture tether in 1956. At that point, with the sort of sublime impulsiveness that's forbidden to fictional characters but endemic to real ones, he decided to visit a remote corner of Afghanistan, where no Englishman had planted his brogans for at least 50 years. What's more, he recorded his adventure in a classic narrative, A Short Walk in the Hindu Kush. The title, of course, is a fine example of Newby's habitual self-effacement, since his journey--which included a near-ascent of the 19,800-foot Mir Samir--was anything but short. And his book seems to furnish a missing link between the great Britannic wanderers of the Victorian era and such contemporary jungle nuts as Redmond O'Hanlon.

6. Arabian Sands by Wilfred Thesiger

Picture
In the spirit of T.E. Lawrence, Wilfred Thesiger spent five years wandering the deserts of Arabia, producing Arabian Sands, 'a memorial to a vanished past, a tribute to a once magnificent people'.  Wilfred Thesiger, repulsed by what he saw as the softness and rigidity of Western life - 'the machines, the calling cards, the meticulously aligned streets' - spent years exploring in and around the vast, waterless desert that is the 'Empty Quarter' of Arabia. Travelling amongst the Bedu people, he experienced their everyday challenges of hunger and thirst, the trials of long marches beneath the relentless sun, the bitterly cold nights and the constant danger of death if it was discovered he was a Christian 'infidel'. He was the first European to visit most of the region, and just before he left the area the process that would change it forever had begun - the discovery of oil.

7. Venice by Jan Morris

Picture
Often hailed as one of the best travel books ever written, Venice is neither a guide nor a history book, but a beautifully written immersion in Venetian life and character, set against the background of the city's past. Analysing the particular temperament of Venetians, as well as its waterways, its architecture, its bridges, its tourists, its curiosities, its smells, sounds, lights and colours, there is scarcely a corner of Venice that Jan Morris has not investigated and brought vividly to life. Jan Morris first visited the city of Venice as young James Morris, during World War II. As she writes in the introduction, 'it is Venice seen through a particular pair of eyes at a particular moment - young eyes at that, responsive above all to the stimuli of youth.' ​amzn.to/2hga4GSVenice is an impassioned work on this magnificent but often maddening city.

8. The Great Railway Bazaar by Paul Theroux

Picture
First published more than thirty years ago, Paul Theroux's strange, unique, and hugely entertaining railway odyssey has become a modern classic of travel literature. Here Theroux recounts his early adventures on an unusual grand continental tour. Asia's fabled trains -- the Orient Express, the Khyber Pass Local, the Frontier Mail, the Golden Arrow to Kuala Lumpur, the Mandalay Express, the Trans-Siberian Express -- are the stars of a journey that takes him on a loop eastbound from London's Victoria Station to Tokyo Central, then back from Japan on the Trans-Siberian. Brimming with Theroux's signature humor and wry observations, this engrossing chronicle is essential reading for both the ardent adventurer and the armchair traveler.

9. The Innocents Abroad by Mark Twain

Picture
The Innocents Abroad is one of the most prominent and influential travel books ever written about Europe and the Holy Land. In it, the collision of the American “New Barbarians” and the European “Old World” provides much comic fodder for Mark Twain—and a remarkably perceptive lens on the human condition. Gleefully skewering the ethos of American tourism in Europe, Twain’s lively satire ultimately reveals just what it is that defines cultural identity. As Twain himself points out, “Broad, wholesome, charitable views of men and things cannot be acquired by vegetating in one little corner of the earth all one’s lifetime.” And Jane Jacobs observes in her Introduction, “If the reader is American, he may also find himself on a tour of his own psyche.”

10. A Time of Gifts by Patrick Leigh Fermor

Picture
In 1933, at the age of 18, Patrick Leigh Fermor set out on an extraordinary journey by foot - from the Hook of Holland to Constantinople. A Time of Gifts is the first volume in a trilogy recounting the trip, and takes the reader with him as far as Hungary. It is a book of compelling glimpses - not only of the events which were curdling Europe at that time, but also of its resplendent domes and monasteries, its great rivers, the sun on the Bavarian snow, the storks and frogs, the hospitable burgomasters who welcomed him, and that world's grandeurs and courtesies. His powers of recollection have astonishing sweep and verve, and the scope is majestic.