terça-feira, 8 de agosto de 2017

Trás-os-Montes, o Nordeste by J. Rentes de Carvalho

Trás-os-Montes, o NordesteTrás-os-Montes, o Nordeste by J. Rentes de Carvalho
My rating: 3 of 5 stars

Um pequeno apanhado de impressões e de opiniões de Rentes de Carvalho sobre Trás-os-Montes (ou a sua parte de Trás-os-Montes), muito bem escritas, do qual se percebe o quão profundamente apaixonado pela terra e pelas suas gentes é o autor.
Tal não o coíbe de lançar uma crítica forte, que recebeu grande eco na comunicação social, sobre o tabu que é a homossexualidade na região. "Entristece constatá-lo, mas se aqui e ali na terra transmontana algo vai melhorando, seja ele a passo de boi, facto é de que há pontos em que a rigidez atávica, o medo, o atraso, antigas noções de honra e a vergonha, se conluiam para tornar desumana a vida daqueles que, por qualquer motivo, seja ele escolha própria, inclinação, desejo ou herança genética, destoariam pelo comportamento. Faço aqui uso ciente do condicional, porque de facto, salvo raríssimas exceções (...), as lésbicas e os homossexuais transmontanos não destoam, pela simples razão de que nesse particular Trás-os-montes não fala «dessas coisas» e faz par com a antiga União Soviética, o Partido Comunista Chinês e o governo do Zimbabué, para quem a homossexualidade não existe."

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Perversões by Jesse Bering

PerversõesPerversões by Jesse Bering
My rating: 1 of 5 stars

Esta edição tem tantas gralhas e uma tradução tão deficiente que é impossível compreender o conteúdo de parágrafos inteiros, o que perturba fortemente a compreensão do texto e a fluência da leitura de um livro cujo conteúdo parece ser muito interessante. É por isso que leva 1 estrela!
Caso encontrem outra edição, por favor, leiam, porque o conteúdo merece, sem dúvida, 4 estrelas.

Num tom divertido e desarmante (o autor confessa no livro as suas "perversões" mais "vergonhosas"...), Jesse Bering fala das parafilias e de como o significado do que é, ou não é, uma perversão tem evoluído ao longo da história.

Alerta-nos para a angústia e opressão que sentem os que não se atrevem a "sair do armário" dos seus desejos sexuais desviantes, mesmo que inofensivos (uma atração sexual por botas, por exemplo, é inofensiva), por receio de serem estigmatizados pela sociedade.

Explica que muitos dos comportamentos sociais discriminatórios têm uma base evolucionária forte, o que não os justifica. Individualmente e socialmente temos a inteligência e a sensatez suficientes para reconhecer e recusar a discriminação. Neste campo, um exemplo muito interessante é o que tem a ver com a criação de "etiquetas" sobre sexualidade: Lésbica Gay Bi Trans Queer Inter Assexual... etc... como se fosse possível descrever a complexidade e a riqueza de personalidade de um indivíduo só com uma etiqueta. No entanto, do ponto de vista evolucionário e reprodutivo, que etiqueta tem mais valor do que a etiqueta da sexualidade?

Refutando os argumentos do "natural" e do "fim reprodutivo" da moral conservadora (utilizando para isso as suas contradições internas), o autor defende que o único critério aceitável para a repressão de atos sexuais é o facto de este causarem, ou não, danos a terceiros.

E termina numa nota positiva, desejando que o nosso sistema de valores evolua para passar a fundamentar-se não na moral religiosa ou conservadora, mas em factos científicos estabelecidos, na crença de que as orientações sexuais nunca são escolhidas pelos próprios, de que o mal não existe a não ser nas nossas mentes, de que os pensamentos lúbricos não são atos imorais e de que nenhum comportamento sexual deve ser condenado se não causar danos comprováveis.

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