quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

My Brother, My Self by Phil Andros

My Brother, My Self My Brother, My Self by Phil Andros
My rating: 4 of 5 stars

Phil Andros, um hustler de São Francisco, persegue por todos os Estados Unidos da América o seu irmão gémeo, Dennis Andrews, de quem nunca tinha ouvido falar, mas de quem descobre a existência por ser frequentemente confundido com ele. Pelo caminho vai tendo inúmeras aventuras sexuais e quando regressa a São Francisco e se encontra, finalmente, com ele, depara-se com uma misteriosa surpresa.

Samuel Steward, o autor de "My Brother, My Self" , foi um professor universitário que acabaria por abrir uma loja de tatuagens para estar mais perto dos marinheiros por quem se deixava fascinar. Começou a escrever pornografia para sobreviver, a certa altura da sua vida, utilizando o pseudónimo de Phil Andros. Mas os seus livros não são "pornográficos" no sentido pejorativo habitual do termo! Apesar de os dispositivos de excitação sexual, que caracterizam a pornografia, lá estarem todos, os livros de pornografia de Phil Andros oferecem muito mais ao leitor: um enredo estruturado, personagens credíveis, referências cultas, cuidado no diálogo e na linguagem utilizada. São, enfim, obras literárias de qualidade, inaugurando, talvez, um novo género, a "pornografia literária."

View all my reviews

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

GIGI by Colette

GIGI GIGI by Colette
My rating: 3 of 5 stars

O conto que dá o título ao livro, Gigi, é verdadeiramente delicioso, cativante, com uma bela descrição do que era ser uma adolescente casadoira que não nasceu em berço de oiro na sociedade parisiense de finais do século XIX.
Os dois restantes contos são interessantes, sendo o segundo, O Menino Doente, uma espécie de ensaio de escrita criativa sobre as emoções de um rapazito paralítico, e o segundo, A Senhora do Fotógrafo, um texto perspicaz sobre a vida (e a morte) do ponto de vista de um conjunto de personagens de um bairro da classe média: a narradora, a própria Colette, a enfiadora da pérolas, o fotógrafo.

A tradução é de José Saramago, uma bela surpresa quando comecei a leitura, e é excelente.

View all my reviews

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Estação Seca, diário, seguido de Topografia by Miguel Botelho

Estação Seca, diário, seguido de Topografia Estação Seca, diário, seguido de Topografia by Miguel Botelho
My rating: 4 of 5 stars

Um livro surpreendente, um deserto de esperança, "uma manhã que se esqueceu de amanhecer", que me faz sempre pensar no Winterreise, de Schubert, ou algumas coisas geniais de Mahler!

View all my reviews

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Os Mutilados by Hermann Ungar

Os Mutilados Os Mutilados by Hermann Ungar
My rating: 3 of 5 stars

Franz Polzer é um obstinado com a ordem, os seus papéis no banco têm de estar arrumados, faz um inventário do seu quarto todas as noites, evita tudo o que perturbe a "normalidade" do seu mundo, o que se vem a provar uma tarefa impossível, face à ambição da sua senhoria, Klara Porges, que o transforma num escravo sexual, e à degradação física e mental do seu maior e talvez único amigo, Karl Fanta, por quem terá tido uma ligeira paixão de adolescente.

Trata-se de um romance quase kafkiano, muito subtil, expondo sem descobrir nem explicar completamente, que acaba com um crime que fica por desvendar, ou fica para cada leitor desvendar.

View all my reviews

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Memórias Póstumas de Brás Cubas by Machado de Assis

Memórias Póstumas de Brás Cubas Memórias Póstumas de Brás Cubas by Machado de Assis
My rating: 5 of 5 stars

O fidalgo carioca Brás Cubas apresenta-nos as suas memórias de uma vida inteira, incluindo algumas inconfidências de menino que resultaram no nascimento da "flor do arbusto", a sua paixão adolescente por Marcela, uma mulher de muitos homens, que duraria "quinze meses e onze contos de réis" e o levaria a ser expatriado para cursar direito em Coimbra, a sua relação proibida com Virgília, uma mulher casada, a sua passagem desastrada pelo Parlamento, que não chegaria a dar-lhe Ministério, a sua amizade pelo filósofo alienado Quincas Borba, e os últimos dias, em que resume a sua vida por um conjunto de "nãos".

Surpreendente, este livro, em diversas vertentes! Já repararam no título: "Memórias Póstumas..."? Sim, são póstumas, o livro é escrito pelo próprio Dr. Brás Cubas, depois de morto. E a escrita é superenxuta e vertiginosa. O livro tem 160 capítulos, alguns com não mais que um parágrafo, outros, que o autor quer manter discretos, em que as palavras são substituídas por "..."! E também é uma escrita culta, rica de referências e irónica, mas de uma ironia quase britânica, modesta, incisiva, que não poupa o narrador ou o seu livro e brinca com o leitor.

Este livro, que rompe com tantos cânones da época em que foi escrito, que é tão revolucionário e inovador, quer na sua estrutura, no tom que emprega ou no realismo irónico e quase cáustico, foi recebido com estranheza pela crítica e pelo público brasileiro, mas continua fresco e delicioso nos dias de hoje.

View all my reviews