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quinta-feira, 14 de abril de 2016

Stud by Phil Andros

Stud Stud by Phil Andros
My rating: 5 of 5 stars

Treze aventuras de Phil Andros, o surpreendente prostituto de Samuel M. Steward. Em Stud, Phil é assediado num campo de férias num parque nacional das montanhas americanas; numa cidade do sul, em ambiente racista, Phil apaixona-se por um negro e escapa-se com ele para Chicago; noutra história, dá por si a aconselhar um jovem operário fabril virgem, cuja transformação, um ano mais tarde, o deixará abismado; descobre um sentimento sem nome, irresistível e muito mais forte e doloroso que o amor; e muitas outras situações que revelam um prostituto de uma humanidade fora do vulgar, tolerante, generoso, culto, forte mas simultaneamente frágil e sem receio de o confessar.

Stud diverge dos restantes romances de Phil Andros por ser um conjunto de contos; apesar disso, ao centrarem-se num mesmo personagem tão marcante, as várias histórias quase nos surgem interligadas, como se fossem... um romance. Mas não só, ao contrário das outras aventuras de Phil, estas abandonam o registo exagerado e repetitivo da pornografia, o que, de certa forma, as beneficia, abrindo espaço erótico à imaginação do leitor. Trata-se, sem dúvida, de uma das melhores obras de Sam Steward, onde a sua escrita e o seu talento para observar a vida e as pessoas que o rodeiam com um olhar meticuloso mas isento de julgamento atingem o zénite.

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Shuttlecock by Phil Andros

Shuttlecock Shuttlecock by Phil Andros
My rating: 4 of 5 stars

Phil Andros, o prostituto-literato, está agora a morar em Berkeley, mesmo em frente a São Francisco, do outro lado da baía. O ambiente universitário, em modo hippie, paz e amor, drogas, rock'n'roll e bolsos vazios, não traz negócio que se veja a Phil, mas vai-lhe lavando as vistas. Certa noite, Phil depara-se com um belo rapaz de cabelos compridos, Larry, completamente ganzado com LSD, e resolve escondê-lo em casa antes que os chuis o prendam. No sofá da sua sala, Phil despe o rapaz e dá-lhe torazina, para o ajudar a aterrar em segurança. Mas a visão do apolíneo corpo nu do rapaz faz-lhe lembrar Greg, um seu antigo namorado polícia, dominador, o único homem a quem se submeteu sexualmente, e Phil não resiste, enrola-se em incontáveis cenas de sexo tórrido com Larry, acabando por convidá-lo a viver com ele e a convencê-lo a cortar o cabelo e a candidatar-se à Escola de Polícia de São Francisco...

Sam Steward escreveu um conjunto de livros de pornografia com o pseudónimo Phil Andros para ganhar dinheiro e, seguramente, porque lhe davam prazer a escrever (e a imaginar...). É por isso que os seus livros têm sempre uma componente de referências culturais forte e uma escrita cuidada, não se limitando à sucessão de cenas de sexo "perfeito" que são o lugar-comum da pornografia. Em Shuttlecock, as citações e referências multiplicam-se, e Sam Steward parece ter-se entusiasmado tanto com o enredo que, a certa altura, se esquece dos seus objetivos financeiros para se deleitar com uma narrativa centrada no suspense e no mistério quase policial, onde o sexo só aparece esporadicamente.


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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Dear Sammy: Letters from Gertrude Stein and Alice B. Toklas by Gertrude Stein, Alice B. Toklas and Samuel Steward

Dear Sammy: Letters from Gertrude Stein and Alice B. Toklas Dear Sammy: Letters from Gertrude Stein and Alice B. Toklas by Gertrude Stein
My rating: 4 of 5 stars

Samuel M. Steward começou a trocar correspondência com Gertrude Stein, uma americana expatriada em Paris de quem Steward era grande admirador, em 1932, quando ainda era professor universitário no Ohio (depois viria a ser o tatuador Phil Sparrow, em Chicago, e mais tarde o escritor de porno gay, Phil Andros, em San Francisco... sobre a excêntrica vida de Steward, recomendo a biografia publicada por Justin Spring, Secret Historian: The Life and Times of Samuel Steward, Professor, Tattoo Artist, and Sexual Renegade).

A correspondência prolongou-se até à morte de Stein, depois da II Grande Guerra Mundial, em 1946, mas antes disso, Steward teve a oportunidade de fazer algumas visitas (em 1937 e 1939) à famosa escritora em Billignin, França, onde normalmente ela passava as férias de verão. Nessas visitas, para além de grandes artistas que frequentavam o "boudoir" da escritora, como Thornton Wilder, Cecil Beaton, Thomas Mann ou André Gide, Sam conheceu Alice B. Toklas, a inseparável companheira de Stein com quem, após a morte desta, Steward continuaria a corresponder-se e a quem continuaria a visitar e a enviar pequenos presentes da América que a deixavam deslumbrada.

Steward organizou o seu livro "Dear Sammy" em duas partes:
1. na primeira parte, que tem cerca de 120 páginas, oferece-nos uma descrição detalhada das suas memórias de Stein e Toklas, explicando e enquadrando, ilustrando com fotos, e chegando ao ponto de transcrever diálogos (a partir das notas que tomava todas as noites quando se encontrava em Billignin), o que aporta uma extraordinária riqueza e vivacidade ao texto;
2. na segunda parte, apresenta a correspondência que recebeu de Gertrude Stein e de Alice B. Toklas. Curiosamente, apesar do maior interesse literário contido nas cartas de Stein, com o seu estilo próprio e inconfundível, são as cartas de Toklas, em maior quantidade e mais extensas que as de Stein, que retratam melhor quem as escreveu, uma mulher culta, forte e determinada, que no fim da vida decide abraçar a religião.

Um livro muito interessante, elegantemente escrito e apresentado, para quem quiser conhecer melhor, e em primeira mão, a vida e o pensamento de Gerturde Stein, Alice B. Toklas e Sam Steward.

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

My Brother, My Self by Phil Andros

My Brother, My Self My Brother, My Self by Phil Andros
My rating: 4 of 5 stars

Phil Andros, um hustler de São Francisco, persegue por todos os Estados Unidos da América o seu irmão gémeo, Dennis Andrews, de quem nunca tinha ouvido falar, mas de quem descobre a existência por ser frequentemente confundido com ele. Pelo caminho vai tendo inúmeras aventuras sexuais e quando regressa a São Francisco e se encontra, finalmente, com ele, depara-se com uma misteriosa surpresa.

Samuel Steward, o autor de "My Brother, My Self" , foi um professor universitário que acabaria por abrir uma loja de tatuagens para estar mais perto dos marinheiros por quem se deixava fascinar. Começou a escrever pornografia para sobreviver, a certa altura da sua vida, utilizando o pseudónimo de Phil Andros. Mas os seus livros não são "pornográficos" no sentido pejorativo habitual do termo! Apesar de os dispositivos de excitação sexual, que caracterizam a pornografia, lá estarem todos, os livros de pornografia de Phil Andros oferecem muito mais ao leitor: um enredo estruturado, personagens credíveis, referências cultas, cuidado no diálogo e na linguagem utilizada. São, enfim, obras literárias de qualidade, inaugurando, talvez, um novo género, a "pornografia literária."

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