Mostrar mensagens com a etiqueta Paul Theroux. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Paul Theroux. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de junho de 2018

The New Granta Book of Travel by Liz Jobey

The New Granta Book of TravelThe New Granta Book of Travel by Liz Jobey
My rating: 5 of 5 stars

Uma antologia de pequenas histórias de viagens, com uma grande diversidade de temas e estilos de escrita, que é o que uma antologia deve ser e que é parte do enorme interesse que este livro teve para mim. A outra parte, a maior, são os temas, por vezes surpreendentes mas quase sempre interessantes, que os autores abordam.
Já não são apenas relatos da exploração de partes remotas do mundo ou das primeiras grandes viagens de turismo de abastados europeus e americanos fazendo o seu "grand tour" das civilizações clássicas. Agora, os autores levam-nos a "viajar" a pequenos recantos irrelevantes, a "presenciar" acontecimentos marcantes, a "visitar" lugares na história ou mesmo nas mentalidades, até às ruas da prostituição barata da Tailândia (Lovely Girls, Very Cheap, de Decca Aitkenhead), a uma pequena cidade dos EUA, como tantas outras, que apenas se distingue por estar exatamente no centro do país (This is Centerville, de James Buchan), pelo vale do Mississipi abaixo durante uma das suas poderosas enchentes (Mississipi Water, Jonathan Raban), pela Sibéria pós-comunista (Siberia, de Colin Thubron), ao que significa ser homossexual numa tribo de índios do Amazonas (The Life and Death of a Homosexual, de Pierre Clastres), ao seio de um grupo de "terroristas" iraquianos (Osama's War, de Wendell Steavenson), atraídos a uma "tourist-trap" nas florestas do Congo (The Congo Dinosaur, Redmond O'Hanlon), a devolver um biscoito roubado da cabana do explorador Robert Scott, na ilha de Ross, Antárctida (Captain Scott's Biscuit, de Thomas Keneally) ou simplesmente numa saída noturna mágica, e um pouco louca, a uma montanha gelada do noroeste da Inglaterra durante um temporal de neve violento (Nightwalking, por Robert Macfarlane).
Concedo que muitas vezes estas histórias parecem-se mais com artigos de jornalismo do que com literatura de viagens, mas não me importo: fazem-me sonhar e ansiar por sair do conforto do sofá onde leio este livro, para descobrir mundos desconhecidos e empolgantes.

View all my reviews

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Granta 10: Travel Writing by Bill Buford

Granta 10: Travel WritingGranta 10: Travel Writing by Bill Buford
My rating: 4 of 5 stars

Depois da II Grande Guerra Mundial, quando todos pensavam definitivamente enterrada a era das grandes viagens e explorações pelo mundo, e com ela a literatura de viagens, a Granta e Bill Bufford, demonstraram que este género literário ainda não tinha morrido e tinha espaço para se reinventar. Já não se tratavam agora das grandes epopeias de aventura e descoberta, procurando civilizações perdidas (como em "A Estrada para Oxiana" de Robert Byron ou "Um Gentleman na Ásia" de Somerset Maugham) ou tentando alcançar zonas remotas e inóspitas, (como em "Farthest North" de Fridjtof Nansen, ou "The Worst Journey in the World" de Ashley Cherry-Garrard). As experiências dos novos escritores de viagens passaram a ser agora mais pessoais e limitadas. Afinal, o mundo já estava completamente descoberto! Para além de serem contadas na primeira pessoa, estas novas histórias de viagens partilham com os clássicos de outrora o poder de nos empolgar, de nos deixar cheios de vontade de deixar os sofás das nossas vidas monótona para partirmos à descoberta de novas maravilhas. Em vez de nos levarem a descobrir o Polo Sul ou a Transoxiana, estes novos escritores de viagens (Chatwin, Morris, O'Hanlon, Theroux, Thubron, Lewis...) colocam-nos em cenários modernos, por vezes dramáticos, como guerras e golpes de estado, mas outras vezes quase irrelevantes, como a rivalidade entre duas pequenas aldeias italianas, a estrada US281 que atravessa o Texas de norte a sul ou um campo de treinos militar. São por vezes histórias de descoberta do outro, mas muitas vezes também histórias de descoberta pessoal.

View all my reviews

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

O Grande Bazar Ferroviário by Paul Theroux

O Grande Bazar FerroviárioO Grande Bazar Ferroviário by Paul Theroux
My rating: 4 of 5 stars

O relato de Paul Theroux de uma grande viagem de comboio que fez em 1973, com partida e chegada a Londres ("todas as viagens são circulares"). Atravessado o Canal de ferry (ainda não havia túnel), segue pelo Expresso do Oriente e depois atravessa a Turquia e o Irão. Segue-se o Paquistão (não há comboios no Afeganistão) e vários percursos na Índia, com um saltinho ao Ceilão. Sem ligação da Índia para o Sudeste Asiático e, no Sudeste Asiático, sem ligações entre países, Theroux faz vários percursos dentro de cada país, incluindo no seu roteiro a Birmânia, a Tailândia, Singapura e o Vietname em guerra. A China estava ainda interdita, pelo que o autor voa até ao Japão, onde circula de Norte a Sul em comboios que quase parecem os aviões que ele detesta, e daí para a Rússia, numa travessia agitada de barco, de onde regressou à Europa no Transsiberiano.

Muitos meses sobre carris de caminho-de-ferro cansam mesmo os grandes viajantes de comboio, como Theroux, que não consegue esconder que a travessia da Rússia no Transsiberiano, que nos parece uma aventura de primeiro calibre, já lhe foi penosa. Quanto ao percurso de Moscovo a Londres, ocupa talvez menos de uma página.

Curiosamente, o autor não perde tempo a falar dos locais por onde passa, está mais interessado em descrever a própria viagem: os comboios, a paisagem que corre do lado de fora das janelas e, sobretudo, as pessoas que vai encontrando no comboio. O livro está recheado de pequenos episódios, alguns muito divertidos, outros muito interessantes, passados com as pessoas que lhe entram pelo compartimento adentro ou que se sentam à sua mesa no vagão-restaurante. E é com este mosaico de histórias que Theroux consegue ir fazendo um retrato dos povos e, de alguma forma, da própria humanidade.

View all my reviews

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Viagem por África - Uma viagem por via terrestre entre o Cairo e a cidade do Cabo by Paul Theroux

Viagem por África - Uma viagem por via terrestre entre o Cairo e a cidade do CaboViagem por África - Uma viagem por via terrestre entre o Cairo e a cidade do Cabo by Paul Theroux
My rating: 4 of 5 stars

Theroux embarca no desafio pessoal de viajar do Cairo à Cidade do Cabo por via terrestre, não tanto por vontade de visitar os lugares turísticos que vai encontrando pelo caminho, mas sobretudo pelo desejo de se isolar do burburinho do mundo civilizado ocidental. Embora tenha conseguido atingir o seu objectivo (obviamente!), a sua jornada não é fácil, tanto a nível físico como emocional. A burocracia para obtenção de vistos é imprevisível, cruzar fronteiras terrestres é um pesadelo (mas quem quer visitar a África profunda deve visitar os postos fronteiriços, aconselha o autor), as infraestruturas de transporte, quase todas construídas pelos antigos colonos britânicos, alemães, portugueses e holandeses, estão degradadas ou destruídas, as estradas do interior são acossadas por ladrões armados, sem que se saiba se os piores são os polícias, os soldados ou os bandidos.

Paul Theroux, que tinha vivido e trabalho no Malawi e no Quénia nos anos 1970, fica indignado com a África que encontra passados 30 anos, onde a pobreza e o crime se generalizaram, arrasada por sucessivas guerras e por má gestão, desleixo e falta de ambição, mas não hesita em apontar culpados: os políticos e governantes africanos, gananciosos e corruptos, que precisam de manter o seu povo miserável para conseguirem auxílio humanitário dos países ricos e das ONG, auxílio que embolsam em seu favor e dos seus comparsas.

Implacável nos seus julgamentos, por vezes quase misantropo, Theroux delicia-se apenas com os momentos em que está sozinho, longe de tudo, no meio do nada, sentindo o calor quente do deserto ou a chuva tropical no rosto, observando um céu estrelado ou os relâmpagos longínquos de uma tempestade, ou mesmo saboreando uma sopa de galinha à entrada de uma palhota de lama. Tudo o resto está destruído, ou não presta, ou é mau ou ignorante! Os turistas, que chegam protegidos pelo ar condicionado dos grandes autocarros, e saem apenas por uns minutos para tirar meia dúzia de fotos e ouvir umas patranhas pseudo-turísticas ditas por uns guias pseudo-informados-historicamente, são alvo do seu desdém. Este não é um homem que procure confortos e que se iniba de viajar em camionetas e comboios atafulhadas de gente, galinhas e sacos, a cair de podres, por estradas lamacentas, nem no tejadilho de camiões de transporte de animais onde é alvo dos tiros dos bandoleiros da estrada que mais que o seu dinheiro ou a sua morte, lhe cobiçam os sapatos.

Uma viagem aventureira e romântica, o primeiro livro de Paul Theroux que li e que, sendo eu viciado em viagens, me deu enorme vontade de ir a correr comprar O Grande Bazar Ferroviário, O Velho Expresso da Patagónia ou A Arte da Viagem!

View all my reviews