Mostrar mensagens com a etiqueta Álamo Oliveira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Álamo Oliveira. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Pátio D'Alfândega Meia-Noite by Álamo Oliveira

Pátio D'Alfândega Meia-NoitePátio D'Alfândega Meia-Noite by Álamo Oliveira
My rating: 3 of 5 stars

O Poeta Porreirinho morre e o médico-legista declara como causa mortis: parto não consumado por asfixia introintelectual, ou seja, o poeta morreu com um romance (o seu romance) dentro da barriga. Pior, as páginas do romance estão baralhadas, e Patachão, o grande amigo do Poeta Porreirinho, lutará denodadamente por ordenar o romance, tentando várias opções, mas nenhuma "a" certa, "a" verdadeira. Ao fazê-lo, descobre que o romance fala dos amigos comuns (a Rosa Cambadinha, a namorado do Poeta, que se suicida quando sabe da morte deste; o Graciosa, um bailarino excêntrico que dança nu na rua e faz amor com o Puto, o pescador que morrerá espancado por denunciar a especulação com o cimento para a reconstrução da cidade depois do terramoto; ou Alzira, uma prostituta com quem Patachão se entende), dos lugares da cidade onde vivem (Angra do Heroísmo, com o seu Monte Brasil, o banco verde do Pátio d'Alfândega ou o fumarento Café Atlântico). Na ânsia de ordenar e reordenar o romance para o "encontrar", Patachão começa a misturar a realidade com a ficção, e uma noite, quando encontra sentado no banco verde do Pátio um fantasma do século XVI, Linschooten, o romance e a vida real fundem-se e tudo se perde (ou se ganha), e Patachão deixa de saber se está vivo ou morto também.

Um ensaio de escrita, imaginativo e poético, que capta muito bem a solidão e angústia das ilhas, num ambiente sempre noturno ou cinzento, opressor, pesado. Um romance dentro do romance, dois num só, mas que no final se juntam para dar só um. Interessante, mas não tanto como outras obras do autor, como Até hoje: Memórias de cão ou Já Não Gosto de Chocolates.

View all my reviews

domingo, 19 de janeiro de 2014

Já Não Gosto de ChocolatesJá Não Gosto de Chocolates by Álamo Oliveira
My rating: 4 of 5 stars

As memórias de Joey Sylvia, José Silva antes de emigrar dos Açores para a Califórnia, quando já octogenário, preso numa cadeira de rodas num lar para idosos, passa em revista a sua vida e a da sua família. Ao recordar-se de como viveu, Joey conta-nos, realmente, como foi morrendo: o fim da nostalgia pela sua ilha natal, a perda prematura, vítima de SIDA, de John, o seu filho mais novo, gay, e a morte da sua mulher, Mary, o pilar da sua vida, tudo contado com o distanciamento e a resignação de alguém que já desistiu de viver e não tem nada mais a perder.
A escrita da Álamo está mais apurada, menos pretensiosa, sempre rica e surpreendente, e cola-nos à leitura deste belo e emocionante romance.

View all my reviews

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Murmúrios com Vinho de MissaMurmúrios com Vinho de Missa by Álamo Oliveira
My rating: 3 of 5 stars

Não sei bem que dizer sobre este livro. Tenho a sensação que são dois livros dentro de um, entrelaçados um no outro, quase escritos por dois autores, ou pelo mesmo autor, mas em momentos diferentes. O começo de uma das histórias é fulgurante, com as reflexões da professora Lucília sobre a sua vida e a dos seus amigos, sobretudo o Jonathan, com as suas ideias controversas e corajosas sobre a pediatria e sua paixão pelo empregado negro da loja da esquina. Mas a outra história, a do padre Raul, é um pouco insípida, quase um conjunto de recordações avulso interessantes, mas só isso. De Álamo de Oliveira, continuo a preferir a escrita, a estrutura e a beleza emocional de Já Não Gosto de Chocolates ou a força de Até hoje: Memórias de cão.

View all my reviews