
My rating: 4 of 5 stars
Murakami aproveita a sua paixão pela corrida para nos falar francamente de si, sobre como decidiu ser romancista, sobre como, quando começou a escrever a sério, compreendeu que tinha de correr a sério, e de como escrever e correr estão tão interligados entre si que uma coisa não sobrevive sem a outra. Sim, porque escrever um romance é como enfrentar uma maratona: "a dor é inevitável, mas o sofrimento é uma opção".
O tom é muito coloquial, familiar, quase uma conversa longa num dia chuvoso, com um amigo, evitando portanto a pompa com que alguns autores exibem as suas memórias, ou a falsa modéstia de algumas autobiografias. E o entusiasmo pela corrida (por vezes parecendo mais forte do que o amor pela escrita) contagia-nos: "Enquanto corro, vou dizendo a mim mesmo para pensar num rio. Pensa nas nuvens, digo. Mas no fundo não estou a pensar em nada de concreto. Continuo, pura e simplesmente, a correr nesse confortável vazio que me é tão familiar, no interior do meu nostálgico silêncio. É isso que é qualquer coisa de profundamente maravilhoso. Digam o que disserem."
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