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Milton Friedman é amado ou odiado pelas mais diversas razões. Foi um economista prestigiado que ganhou um prémio Nobel e foi um excelente comunicador: a série de TV "Free to Choose" foi vista em todo o mundo e os seus livros venderam milhões de exemplares. Mas também ficou muito negativamente associado às políticas económicas do sanguinário ditador chileno Pinochet, e dos conservadores Margaret Thatcher e Ronald Reagan ("If it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it.")
Hoje em dia, em Portugal, quando estamos superlativamente endividados, quando o Estado parece incapaz de equilibrar as suas contas apesar dos sucessivos aumentos de impostos, quando os casos de corrupção e má-gestão se sucedem nos noticiários sem que a Justiça consiga condenar os responsáveis, seria bom deixar as emoções de lado e ler as palavras de Friedman apenas pelo que valem, sem os estigmas dos rótulos que lhe queiram colar, para tentar compreender as ideias do académico inteligente, racional e coerente que ele foi.
E muitas das ideias de Friedman, ou muitas das ideias de que ele fala em "Capitalism and Freedom", são ideias importantes: que a Liberdade é um valor fundamental, que não existe liberdade política sem liberdade económica, que devemos optar por sistemas fiscais simples, transparentes e previsíveis, que para haver unanimidade não é necessário haver conformidade, que as barreiras à circulação de pessoas e bens são prejudiciais, e muito mais.
Hoje em dia, em Portugal, precisamos de reduzir drasticamente a corrupção, precisamos de reduzir drasticamente a nossa dívida externa, precisamos de reduzir drasticamente os impostos, precisamos de gerir melhor os nossos recursos, de reduzir drasticamente a pobreza, precisamos de "sonhar" com um país melhor, um país que seja um exemplo e um farol de liberdade, democracia, justiça e tolerância para todo o mundo, um país de que nos orgulhemos.
E se as ideias das forças políticas que têm dominado os nossos destinos não servirem para materializar esse "sonho", então precisaremos de um novo cocktail de ideias, de objetivos, de estratégias e de líderes, e não nos podemos dar ao luxo de rejeitar ideias diferentes sem as avaliar desapaixonadamente, para tentar compreender de que forma nos poderão ajudar a vencer os nossos desafios.
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