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A vida simples de William Stoner: a sua infância e adolescência numa quinta isolada de um Estado ignorado dos EUA na primeira metade do século XX; a partida para a Universidade onde fará carreira como professor universitário, o casamento e a filha, os alunos, o grande amigo e o grande inimigo, a amante, a reforma e a morte. Parece linear, mas nenhuma vida é linear, e William Stoner tem uma forma peculiar de encarar a vida: sem ansiedade em relação ao futuro e sem angústias em relação ao passado. Vive para o presente, para o trabalho, para o dever, para o que acha justo e para o que entusiasma. Mas Stoner também é peculiar a encarar a morte: quase como mais um passo lógico, uma fatalidade contra a qual não vale a pena lutar, "business as usual", sem dramas nem emoções.
"Chegara aquela idade em que lhe ocorria, com crescente intensidade, uma pergunta de uma simplicidade tão avassaladora que não tinha como a enfrentar. Dava por si a perguntar-se se a vida valeria a pena,se alguma vez valera a pena. Era uma pergunta, desconfiava ele, que assolava todos os homens a uma dada altura; perguntou-se se os assolaria com uma força tão impessoal como o assolava a ele. A pergunta acarretava uma tristeza, mas era uma tristeza geral que (pensava ele) pouco tinha que ver consigo ou com o seu destino em particular."
A escrita é simples (como Stoner?), fluente e enxuta, mas ao mesmo tempo envolvente, credível e perspicaz. Sentimos-nos na pele de William Stoner, sofremos as suas dores, partilhamos as suas alegrias, e por isso compreendemos melhor o seu olhar pessimista (ou realista?) e pungente que nos obriga a recordar quão breve a vida é quão inevitável o nosso destino.
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