domingo, 16 de dezembro de 2018

Frederico Paciência by Mário de Andrade

Frederico PaciênciaFrederico Paciência by Mário de Andrade
My rating: 4 of 5 stars

Juca, um rapaz maroto, sente-se atraído pelo belo Frederico Paciência, e fica surpreendido por ser correspondido. Nem um nem outro compreendem a natureza dessa atração, chamando-lhe amizade talvez por não saberem, ou não terem sequer a capacidade para saber, que se trata de amor.
Um conto lindamente escrito, com grande sensibilidade e nostalgia, uma espécie de testamento sentimental de Mário de Andrade.

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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

A Lisboa de Eça de Queiroz A Lisboa de Eça de Queiroz by Marina Tavares Dias

A Lisboa de Eça de QueirozA Lisboa de Eça de Queiroz by Marina Tavares Dias
My rating: 3 of 5 stars

Uma coleção de fotos e gravuras sobre Lisboa, do século XIX e, por isso, contemporâneas de Eça de Queiroz, "comentadas" por excertos de obras do próprio Eça. O livro está organizado por zonas da cidade (Rossio, Chiado, etc.) e por categorias temáticas (cafés, hotéis, etc.). Contém também uma boa Introdução e a republicação de um texto de interessante sobre Lisboa que Eça publicou, ainda jovem, na "Gazeta de Portugal".
Trata-se de uma obra interessante. No entanto, para fotos antigas inéditas da cidade, associadas a uma investigação profunda e bem documentada sobre os locais, edifícios ou negócios, recomendo dois blogues extraordinários: Restos de Coleção e Lisboa de Antigamente.

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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Carnaval no fogo by Ruy Castro

Carnaval no fogoCarnaval no fogo by Ruy Castro
My rating: 4 of 5 stars

A escrita de Ruy Castro é descontraída e calorosa, tal como o Rio, e, tanto ou mais do que as histórias sobre a história, sobre os cariocas, sobre a "garota de Ipanema" ou sobre a cidade, as suas praças, jardins e bairros, é ela própria um retrato apaixonado da "cidade maravilhosa".

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quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Os Gémeos de Black Hill by Bruce Chatwin

Os Gémeos de Black HillOs Gémeos de Black Hill by Bruce Chatwin
My rating: 4 of 5 stars

A vida de dois gémeos inseparáveis e idênticos em quase tudo, exceto nalguns aspetos da personalidade (um extrovertido, com vontade de namorar e casar, outro introvertido, quase com medo das mulheres), que vivem na fronteira entre a Inglaterra e o País de Gales.

Mais do que a história dos gémeos, o que é mais interessante neste livro é a escrita lisa e enxuta de Bruce Chatwin, interessada só nos factos, com uma frieza quase científica que apenas se deixa levar pela emoção já quase no final, com a prenda dos 80 anos que o sobrinho-neto engendra para os gémeos. Curiosamente (ou propositadamente), é a ausência de emoção ao longo do texto que faz com que a sua aparição inesperada quase no final tenha um efeito mais marcante, como se nos fosse dado a assistir a uma enorme explosão de fogo de artifício inesperada e bela.

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domingo, 19 de agosto de 2018

Um Diário Russo by John Steinbeck

Um Diário RussoUm Diário Russo by John Steinbeck
My rating: 4 of 5 stars

Logo no pós-guerra, John Steinbeck e Robert Capa conseguem autorização para visitar a União Soviética e, surpreendentemente, ao ficarem sob o patrocínio da Liga dos Escritores e não da dos Jornalistas, deixam-nos sair de Moscovo e visitar outras regiões. Nem um nem outro queriam discutir a política ou as tensões que existiam a nível militar e geo-estratégico entre as duas potências rivais. Queriam sim saber como era o povo, como vivia, o que pensava, fotografá-lo e escrever sobre ele.

Encontram cidades ainda em ruínas, mas um povo determinado em reconstruir e refazer as suas vidas. E descobrem que, sendo gigantesca, a federação soviética é um mosaico de gentes, de temperamentos (mais sombrios e distantes em Moscovo, mais alegres e calorosos na Geórgia) e de geografias e climas (continental em Moscovo e tropical na costa do Mar Negro).

É curioso verificar que Steinbeck parece confundir Rússia com União Soviética. Com efeito, mesmo o título do livro deveria ser "Um Diário Soviético", uma vez que talvez metade do mesmo seja dedicado à descrição das visitas à Ucrânia e à Geórgia. E também é curioso verificar que algumas das suas experiências parecem aquelas visitas programadas, com objetivos propagandistas, que se faziam através da Associação de Amizade Portugal-União Soviética, onde os visitantes eram levados a escolas ou fábricas modelo, em nada representativas da vida da generalidade dos cidadãos. Steinbeck e Capa andaram sempre acompanhados por um "tradutor oficial" nas suas visitas. Por exemplo, quando viam as prateleiras das lojas vazias e as longas filas que se formavam e que logo esgotavam qualquer que fosse o produto que chegava ao estabelecimento, logo lhes explicavam que era o resultado da destruição das fábricas durante a guerra e que um futuro radioso e de abundância esperava os povos soviéticos. Tal não se veio a confirmar, infelizmente, como todos sabemos. Mas Steinbeck parece perceber que as coisas não são bem como lhas apresentam, e vai-nos avisando frequentemente que só escreve aquilo que vê e que lhe contam.

O livro é muito interessante e lê-se num fôlego, mesmo se algumas passagens são excessivamente diarísticas ("fomos para o hotel", "viemos do aeroporto", "almoçámos bem",...). As fotos de Robert Capa enriquecem a obra, apesar das restrições e da censura que as autoridades soviéticas lhe impuseram. Mas é a escrita de Steinbeck que é central, sobretudo quando Steinbeck aplica o seu apurado sentido de humor e a sua penetrante ironia, por vezes em relação a si próprio e a Robert Capa.

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