quarta-feira, 7 de maio de 2014

As Ites e o Regulamento (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena

Os Grão-CapitãesAs Ites e o Regulamento (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena
My rating: 4 of 5 stars

Uma noite de tempestade, pesadelo, sofrimento, na vida de um recruta do curso de oficiais milicianos de Penafiel, atormentado, entorpecido, enevoado, por uma faringite (ou sinutiste, otite ou outra ite qualquer) que termina surpreendentemente, em frente da porta do rígido capitão Carvalho, um adepto feroz do Regulamento.

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domingo, 4 de maio de 2014

A Grã-Canária (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena

Os Grão-CapitãesA Grã-Canária (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena
My rating: 4 of 5 stars

Os cadetes acordam nas camaratas, estremunhados, ao som do clarim. O navio vai dar entrada no porto de Las Palmas da Grã-Canária. O comandante quer apresentar-se impecável, em representação de Portugal, face a uma Espanha mergulhada em guerra civil, e na sua voz de falsete ordena: “A ordem é: lavar o navio, lavar as ventas e lavar a roupa.” Bem recebidos pelas autoridades locais, onde se misturam as sotainas negras dos padres e os “Arriba España” franquistas de braço erguido, os oficiais e cadetes são levados para um almoço demorado na encosta da montanha. Ao anoitecer, ainda enjoados do banquete mas por fim livres, procuram alívio para outra sede maior, a do desejo sexual acumulado pela longa travessia marítima.

A passagem de Jorge de Sena pela Marinha, de onde foi excluído após uma viagem no navio-escola Sagres, parece ter servido ao autor de inspiração para este conto. As razões para a exclusão nunca foram divulgadas: Mécia de Sena considera que foram de natureza política, enquanto Arnaldo Saraiva indica a falta de destreza física e militar, embora referindo que em Lisboa corriam “boatos” que falavam da suposta homossexualidade do autor. Neste conto, curiosamente, surge relatado um episódio em que o narrador e dois dos seus melhores amigos cadetes são insultados como “paneleiros” e “comunistas”; o autor do insulto será, posteriormente e já a bordo do navio, alvo de violenta agressão pelo Bravo, um dos insultados, que o amarra e viola, só sendo dominado pelos amigos, “arquejante, com espuma nos lábios, de sexo em riste, (…) rugindo ainda entre os dentes cerrados: - Seu leproso, seu filho da puta, quem é que é comunista?”

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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Boa Noite (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena

Os Grão-CapitãesBoa Noite (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena
My rating: 5 of 5 stars

Boa noite é um conto em quatro atos, surpreendente pela sua densidade e pela profundidade da construção do seu personagem principal. No primeiro ato, os devaneios noturnos de um homem no seu quarto de umas águas-furtadas de Lisboa são interrompidos pela chegada do seu colega de quarto (e de divã) com uma prostituta que, estranhando a situação com que se depara, pergunta se está a mais. No segundo, descobrimos que o homem tem 32 anos e é, na verdade, um artista, um intelectual, um surrealista que cita Botto e Breton, que especula sobre as vantagens do sexo entre homens e discute o natural, o vício, a convenção social e a assunção do desejo (“A beleza não existe, e quando existe não dura. A beleza não é mais que o desejo premente que nos sacode… O resto, é literatura.”), tudo para impressionar um jovem e belo rapaz louro de 18 anos, que acaba por conseguir atrair ao seu quarto da mansarda. É outra vez de noite, no terceiro ato, quando o artista se gaba, exagerando, perante os amigos, à volta de uma mesa de café, das suas aventuras com o rapaz louro. Finalmente, no quarto ato, o rapaz, ainda mal refeito da experiência com o surrealista, mas sem conseguir deixar de pensar nele, deixa-se cair num banco da Avenida da Liberdade, onde é abordado por uma prostituta que o arrasta consigo com alguma dificuldade, sem lhe conseguir afastar as dúvidas sobre a natureza da sua sexualidade.

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Capangala Não Responde (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena

Os Grão-CapitãesCapangala Não Responde (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena
My rating: 4 of 5 stars

Durante a guerra colonial em Angola, três soldados ficam isolados na mata, rodeados pelo inimigo. O medo da morte, solta confissões e a agressividade masculina, que leva à provocação machista, de carácter fortemente sexual e homofóbico, e à violência física.


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O Bom Pastor (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena

Os Grão-CapitãesO Bom Pastor (Os Grão-Capitães) by Jorge de Sena
My rating: 3 of 5 stars

Um rapaz de uma família miserável de Gaia, vítima de violência doméstica e abuso sexual pelo padrasto, apresenta-se no quartel do Bom Pastor para o serviço militar. Mas até a tropa lhe é madrasta e, após uma altercação com outros recrutas, magro, débil e esfomeado, dá entrada na enfermaria para ser de seguida desmobilizado sem compaixão.

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