quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

As Mãos e os Frutos / Os Amantes sem Dinheiro by Eugénio de Andrade

As Mãos e os Frutos / Os Amantes sem DinheiroAs Mãos e os Frutos / Os Amantes sem Dinheiro by Eugénio de Andrade
My rating: 3 of 5 stars

Quando terminei a leitura, escandalizei uns amigos ao dizer que deste livro de poesias de Eugénio de Andrade só gostara mesmo de meia dúzia de versos. Gosto apenas da que consigo compreender, quando há uma emoção, uma paisagem bela, um momento, uma imagem que o poeta consegue fixar com a brevidade, a elegância e a musicalidade de um verso. Por exemplo, deste livro gostei de "...gravemente, comedidas, / param as fontes a beber-te a face" ou do poema "Green God" ("Andava como quem passa / sem ter tempo de parar"). Enfim, sei que o problema deve ser meu, porque os meus amigos dizem-me que a poesia não é para se compreender, é para nos deixarmos embalar, por vezes apenas pela musicalidade e pelo ritmo dos versos, por vezes apenas por um encadeado de palavras... com o passar dos anos e a teimosia de ler poesia, espero conseguir "melhorar" desta minha "insensibilidade poética"...

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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Pee-Shy by Frank Spinelli

Pee-Shy by Frank Spinelli
[I've read the sample: seems to be a very interesting, well written accounts of personal experiences; marked it to read]

In his stunningly honest and poignant memoir, Frank Spinelli recounts a childhood marked by trauma and of finding the courage that ultimately transformed his life...Frank Spinelli grew up on Staten Island in the 1970s to Italian-born parents who viewed cops and priests as second only to the Pope in infallibility. His mother, concerned that her son was being bullied at school for being "different," signed Frank up for Boy Scouts when he turned eleven. For the next two years, Frank's life had two realities--one lived in full view of his family, and the other a secret he shared with his Scoutmaster that he couldn't confess to anybody. 
Eventually Frank went to college, established a thriving medical practice, and found a home in Manhattan. But the emotional and physical effects of his past continued to shadow every aspect of his life. Then a shocking discovery gave Frank the opportunity to overturn thirty years of confusion and self-blame--for himself, and for other boys like him. 
Pee-Shy is a remarkable story of overcoming the unimaginable to choose resilience over darkness, and love over loss. 
"A devastatingly heartbreaking look at life after childhood abuse, with wit and piercing insight that can only come from a place of brutal honesty." --Josh Kilmer-Purcell 
"This is a memoir about a grown-up boy's generous--and healing--heart."--Kevin Sessums 
"This is one of those horrific, true stories that Dr. Spinelli so courageously reveals. With raw honesty he makes us understand that monsters do exist and a child's innocence is precious. His story is one of too many, but maybe, this one will help open our eyes a little more and shine a light on a taboo subject that many chose not to see or believe." --Whoopi Goldberg

Raising My Rainbow by Lori Duron

Raising My Rainbow by Lori Duron
[I've read the sample: seems to be a very interesting, well written accounts of personal experiences; marked it to read]

Raising My Rainbow is Lori Duron’s frank, heartfelt, and brutally funny account of her and her family's adventures of distress and happiness raising a gender-creative son. Whereas her older son, Chase, is a Lego-loving, sports-playing boy's boy, her younger son, C.J., would much rather twirl around in a pink sparkly tutu, with a Disney Princess in each hand while singing Lady Gaga's "Paparazzi."
C.J. is gender variant or gender nonconforming, whichever you prefer. Whatever the term, Lori has a boy who likes girl stuff—really likes girl stuff. He floats on the gender-variation spectrum from super-macho-masculine on the left all the way to super-girly-feminine on the right. He's not all pink and not all blue. He's a muddled mess or a rainbow creation. Lori and her family choose to see the rainbow.
Written in Lori's uniquely witty and warm voice and launched by her incredibly popular blog of the same name, Raising My Rainbow is the unforgettable story of her wonderful family as they navigate the often challenging but never dull privilege of raising a slightly effeminate, possibly gay, totally fabulous son.

Cidade Proibida by Eduardo Pitta

Cidade ProibidaCidade Proibida by Eduardo Pitta
My rating: 3 of 5 stars

Eduardo Pitta narra os amores impossíveis de Martim, um jovem, filho de família burguesa da Linha do Estoril, por Rupert, um inglês expatriado em Lisboa, oriundo de uma família disfuncional de classe média, convocando para o seu romance um vasto conjunto de personagens que se movimentam pelos cenários de Lisboa, Londres, Estoril, Oxford, Lourenço Marques, África do Sul e Rio de Janeiro, nos tempos do primeiro primeiro-ministro engenheiro, mas com digressões ao passado, ao Estado Novo salazarento, ao Moçambique pré e pós-colonial, à Washington de Lyndon B. Jonhson, à Grã-Bretanha de Tatcher e do IRA, entre outros.

Apesar de ser educadamente, polidamente, mesmo amavelmente, recebido na “cidade proibida” da burguesia lusa em que se movimenta Martim, Rupert nunca deixa de ser considerado um outsider, um corpo estranho. (Num pormenor delicioso, Rupert interroga-se se Vasco Ravara – um amigo de Martim com quem passara uma noite tórrida numa orgia anónima em Marylebone – nunca menciona que já o conhecia por esquecimento ou timidez. Nem uma coisa nem outra! Eduardo Pitta, num “detalhe” magistral, deixado cair como que por acaso já nas últimas páginas do livro, revela-nos que Vasco se lembrava muito bem de Rupert, porque avisara Martim acerca do gangbang de Marylebone logo que soubera que o amigo se estava a apaixonar pelo inglês…).

Quando Rupert descobre que o seu tio Mark, a sua grande (única?) paixão – que ocupou o lugar do seu pai quando este abandonou a família e que se envolveu sexualmente com a cunhada mas também com o sobrinho – está doente com SIDA e vai morrer muito em breve, o choque é tremendo e Rupert, caindo em si, desiste de Martim e da hipocrisia da “cidade proibida” em que vivem a família e os amigos do namorado.

No seu estilo pessoal muito culto e cosmopolita, mas sempre frontal e corajoso, muito rápido e sucinto (por vezes, quase telegráfico), a criatividade de Eduardo Pitta consegue oferecer-nos, num texto de cerca de cem páginas, material que daria para um romance de muitas centenas de páginas ou para uma boa dúzia de contos interessantes. Apesar de ser omnipresente (dez, ou mais, personagens são homossexuais ou bissexuais), a homossexualidade não é o foco da narrativa, que trata, sobretudo, da desvalorização de um círculo social fechado e restrito a que se deseja pertencer, mas onde é difícil entrar e ser-se aceite.


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O Caderno do Algoz by Sandro William Junqueira

O Caderno do AlgozO Caderno do Algoz by Sandro William Junqueira
My rating: 2 of 5 stars

Ontem a Margarida colocou na sua lista "to-read" o livro Um Piano para Cavalos Altos do Sandro William Junqueira. Por coincidência tinha lido no Expresso de sábado que este era um dos autores "promessa" da literatura portuguesa. Ora eu já tinha lido há algum tempo O Caderno do Algoz e não tinha ficado muito impressionado. Decidi reler e não mudei de opinião. Com efeito, já estou a ficar sem paciência para "experimentalismos literérios" e a forma como o autor parece que sorteou aleatoriamente a ordem dos capítulos, misturando sem aviso passado, presente e futuro é uma "seca". Bem me podem dizer que desta forma cada leitor "lê" uma história diferente, etc., etc. Não me convencem. Depois os personagens pairam pelos capítulos, também fragmentados... um coveiro, inspetor bissexual sádico, uma mulher com um seio amputado, mãe de uma criança que passa o tempo a tossir e a pingar ranho, um anão sodomizado, um cão e um peixe maltratados e um escritor que comete um crime e corta a mão que o cometeu (inspiração para a capa). Esperemos que Um Piano para Cavalos Altos seja, de facto, muito melhor...

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